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Chá e Conan Doyle

 - Maaaaaauro.
 - Quié? - Respondo ao berro.
 - Vem cá!
 - O que você quer? - Digo irritado.
 - Vem logo, porra!
 - To indo.
 Subo as escadas, irritado. É bom que ele tenha me interrompido por algum motivo importante. Ninguém interrompe meus filmes se não for por nada. Abro a porta do banheiro e vejo ele sentado na privada.
 Uma mão segurando uma xícara. A outra segurando a minha edição de O Signo dos Quatro.
 - Mas que merd... O quê você está fazendo?
 - Lendo. - Ele me olha como se fosse a coisa mais normal do mundo. - E tomando chá! - E então toma um gole da xícara.
 - Sim, isso eu percebo mas... Por que sentado na.. - E então vejo que sua calça está nos seus pés. E a cueca nos joelhos.
 - Só um instante. - Então ele fecha os olhos. Faz uma careta. E só percebo o quê ele fez quando ouço o som de algo caindo na água da privada. A onomatopeia tão conhecida. E o cheiro peculiar.
 - Puta que pariu, Paulo! Que merda é essa? Estou aqui do teu lado!
 - Ah, perdão. Não deu tempo de pedir pra você sair.
 - O quê você quer afinal das contas?? Pode ficar com o livro, ok?
 - Ah, mas como você é gentil. - Ele sorri. Não sei se foi sarcasmo ou gentileza. - Me traz essa garrafa térmica aí do seu lado? Meu chá já esfriou.
 E então percebo que foi sarcasmo.

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