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Mostrando postagens de 2015

Bárbara

Não há Pôr-do-sol em Curitiba, ela escreveu num fôlego rápido enquanto esperava o ônibus na ainda vazia e nebulosa Getúlio Vargas vespertina; por mais que o sol ainda não houvesse nascido, o pensamento servia tanto para a aurora quanto o crepúsculo.   É perigoso isso, a baixa incidência de sol. Não há divisão dos turnos, o dia só é menos escuro do que a noite, o que é ideal para vampiros, mas não para garotas. It’s indeed a dangerous time for dreamers.  Teve que reescrever no celular, a caligrafia no ônibus era hedionda; guardou a caneta em um bolso específico da mochila e pegou o aparato eletrônico com pressa, afinal a inspiração era como um fôlego efêmero, poderia ir embora tão rápido quando chegou; o que era terrível para pessoas que se distraiam muito.  A tão chamada cidade dos poetas. Tivemos Leminksi, Trevisan e Perneta, mas nenhum Bandeira, Drummond, Vinicius de Moraes ou Gregório de Mattos, sem o sol para inspirá-los se sucederam bem para temas mundanos e espirituais, contudo…

your one companion

Sentada no sofá ela permitiu um suspiro escapar, havia anos já que não se sentia rejeitada desse modo. Não foi um sentimento novo porém quase pareceu como se fosse, afinal ele a pegou de surpresa.  Deitou no sofá como fazia quando era mais nova, bem mais nova, quando ouvia The Pretenders no rádio e chorava por um antigo namorado. Não havia mais rock inglês e nem lágrimas na cena, mas quão diferente era realmente a cena? Ainda havia um ser humano do sexo oposto no seu pensamento e também se sentia mal por causa dele.  Se levantou e saiu a andar pelo apartamento espaçoso, deu trinta passos pela sala, acompanhando a parede feita de vidro que era a janela e a porta para a varanda; portas, janelas e divisórias todas feitas de vidro, tudo isso para dar uma maior sensação de amplitude para o ambiente. Mais vinte passos pelo corredor que a porta de madeira branca separa polidamente dos convidados e entrou no quarto.  O quarto cor de champanhe com detalhes em roxo e marrom, sofisticado, como…

gazing across

O frio era suficiente para o próprio ar lhe arder os pulmões, em uma sensação mista de alívio, limpeza e profundidade dentro de si mesma, o frio da noite lhe percorrendo os capilares; uma metáfora bonita, como pensar que a noite, como algo palpável, estava dentro de si. Ficou feliz pela maquiagem estar escondendo o nariz vermelho ao se olhar no reflexo, sorriu com o resultado, se sentiu bonita no reflexo da vitrine, um sentimento raro após os quarenta anos, se bem que ele nunca foi munto presente nas décadas anteriores; saber que estava atraente era diferente do que sentir que estava.
 Olhou no relógio, só haviam se passado dois minutos desde que Thomas havia entrado no banco para sacar dinheiro, o estabelecimento financeiro era o único lugar lotado em um raio de quinhentos metros; bairro comercial, isso é esperado. A rua estava deserta, mas não havia muito perigo aparente, Clarice tinha sua Beretta dentro da bolsa junto com seu distintivo caso fosse preciso; esperava que não fosse.

In My Life

No total foram seis filmes que nunca mais tive a coragem de re-ver e dois livros perdidos; um coração com remendos e o hábito de passar rímel. Ainda assim, menos danos do que o relacionamento anterior que resultou em uma completa mudança de gosto musical.  Era o quarto garoto, então comecei com uma lista; dividida entre livros, músicas, filmes e hábitos. Cada uma dessas colunas era dividida em duas linhas, AR/PR (Antes relacionamento, Pós relacionamento) mas como só era o segundo mês de namoro, acho que estava me precipitando. Digo, nem tínhamos chegado ao nível Casablanca ainda, mas... Já havíamos passado pelo Iluminado...  Talvez já fosse muito tarde pra começar essa lista, afinal já passava das 3 das manhã, e como diria Ted Mosby; nada de bom acontece após as duas da madrugada.   A parte engraçada é ver a parte da lista em que você tenta reciclar, não somente para manter, mas também como re-uso. Nos meus casos foi praticamente impossível; perca total, lixo orgânico, caixinha de T…