Pular para o conteúdo principal

Requebre e grite baby, pois a noite está apenas começando.

 Uma coisa sobre casas de músicas onde o ingresso é mais que vinte reais: elas são o equivalente à casas exclusivas no centro de Curitiba. 
 É o esconderijo de todas as garotas com máscaras falsas e decidem derrubá-las por uma noite.
 Pista de dança. Banda ao vivo. Bebidas não adulteradas e um bartender que sabe o quê faz. É o suficiente para a elite cultural. 
 Como toda pista de dança. Sempre há uma garota que se destaca. Vestido de bolinhas, salto alto e quadris se movendo mais rápido que a velocidade da luz. Ninguém olhava para o parceiro, pois ela era a atração. A música acabou e começou a tocar alguma música romântica. 
 Ela saiu da pista e pediu um drink. 
 Dry Martini. Duas azeitonas. 
 Um homem aproveitou a deixa, pagou a bebida e conversou com ela. 
 A noite se resumiu nisso. Sorrisos sarcásticos da garota. Olhos rolando. Uma satisfação pessoal na cara do homem. 
 Uma hora antes da casa fechar, eles saíram juntos. 
 Não vi mais da garota por duas semanas. 
 Mas quando a vi. A mesma coisa se repetiu. Mas dessa vez, eu paguei um Martini pra ela. 
 Sem azeitonas. 
 Ela sorriu, me contou histórias. Saímos juntos e fomos para o apartamento dela. Dessa vez, nunca mais a vi.  Nem me falou seu nome. Eu só tinha um endereço e um coração partido. Uma gozada não vale tudo isso. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Porque vamos terminar a garrafa - Vinagre

Nos momentos em que o Sol escondido nas nuvens parece a Lua, e que a Lua durante a noite ofusca a visão como um corpo celeste de brilho próprio é que nos vemos como contempladores. Os aviões no céu brincando com a noção de perspectiva do movimento terrestre, e todos os sentimentos que se tem a necessidade de expressar e que a habilidade nos falta. A habilidade de parar e apreciar.
Não foi até eu perceber que em plenas férias estava correndo que percebi que tinha um problema. Enquanto teoricamente aproveitava o sol e um bom café no terraço, dava cada tragada com força e pressa. Não eram a pressa e angústia de quem queria sorvar o máximo do momento, como as pessoas gulosas pela vida. Era somente a ansiedade de quem tinha algo para fazer. Uma viagem para planejar, pessoas para conhecer, amigos para consolar. Todos os verbos no infinito possíveis, como que se estivessem indicando algo relacionado ao futuro.
 Foi um esforço consciente ter que me permitir aproveitar as sensações daqueles m…

Vamos terminar a garrafa - NPC

- Sabe, mesmo que você realmente seja um idiota, mesmo que eu deveras me machuque. Isso nunca vai ser minha culpa. É um defeito seu se você me machucar, e uma qualidade minha eu pular de cabeça. Nunca pedirei desculpas por correr em direção o pôr do sol.
Com um sorriso sereno, ela fala isso com toda  simplicidade do mundo na mesa do bar, entendia que precisava dar essa certeza para as pessoas, a certeza de que ela compreendia que tudo era efêmero e que estava preparada para um coração partido.
Antes fosse pose tudo isso, lhe facilitaria a vida. Se ela realmente pudesse se culpar, pudesse se fazer de mártir muitas de suas dores seriam justificadas.
Mas não, ela tinha essa consciência de suas escolhas. Sabia diferenciar quando alguém lhe alimentava expectativas e quando ela criava elas mesmas.
Tão atenta de si, mas tão atrapalhada. Oblíqua ao mundo a sua volta, nunca sabia quando estavam gostando dela e por isso nunca sabia quando magoava alguém.
- Não, na realidade você foi bem c…

A nostalgia do que não li

Uma criança linda se agarrava ao cachorro de pelúcia como se sua vida dependesse disso. Todos os seus movimentos eram em torno daquele braço direito que imitava uma asa com o boneco dentro. Sua mãe seguia, segurando-a pela touquinha do moletom que vestia com a mesma naturalidade de quem é levado por um cachorro travesso que avista um ciclista passando. Claro que com muito mais cuidado. Vejo Laura se envolvendo com aquele momento, deixando que toda a subjetividade daquilo tudo, com suas mil e uma metáforas fosse absorvida, e eu fiquei lá esperando a frase de efeito que quebraria o silêncio.
 - É engraçado como cigarros são considerados vícios, mas essas obsessões infantis não.
 - Crianças lá podem discernir o que é vício ou não?
 - E uma garota de treze anos revoltada com a vida pode? É o mesmo tipo de critério completamente arbitrário que determina para quem a culpa vai durante um encontro, ou pior, abuso sexual. O tipo de dependência que aquele menino tem daquele cachorrinho é tão grand…