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Mostrando postagens de Setembro, 2012

Perfume barato e veneno doce

Lá estava ela. Cabelos curtos e lisos presos num rabo de cavalo. Top rosa. Lábios da cor da "blusa". Saia de couro. Meia arrastão. Bota de couro. Cigarro nos lábios e Bukowski nas mãos. Oito da noite. Névoa cobria a cidade, para variar. Ela era uma prostituta. Nenhuma outra mulher se sentaria e leria com essas roupas com tamanha tranquilidade. Não nessa cidade. Vou até ela.
 - São quinhentas pratas uma hora e meia. Setecentos e cinquenta duas horas. Serviço de acompanhante por um dia, mil e quinhentas. - Ela disse, sem tirar os olhos do livro.
 - Meu autor favorito.
 - Ahm?
 - Bukowski. Adoro Hollywood. Porém Pulp é o meu favorito.
 - Hm. Gosto dele, porém Wilde continua sendo meu escritor e poeta favorito.
 Entreguei-lhe quatro notas de cem.
 - Falta cem pratas ainda, senhor.
 - Estou pagando pela sua companhia, não seu corpo.
 - Por quê?
 - Uma hora e meia com uma mulher atraente, bom gosto literário e um café bom, que também lhe pagarei, não se preocupe. Acho que você co…

Doll parts.

Ela era. A garota com coração partido. A garota que tanto assumia ser quebrada. A garota cujos dentes eram amarelados de cigarro e os lábios sempre vermelhos de batom. Queria ser Courtney Love, mas não sabia cantar. Queria morrer, mas não havia uma platéia.
 Tomei coragem. Fui conversar com ela. Ri das piadas sem graça. Beijei-a sem manchar o batom vermelho. Ofereci uma platéia.
 Ela morreu. Eu virei o garoto de coração partido. E depois dela assumi ser quebrado.

Dez minutos de conversa jogada fora

- Seu maior erro?  - Uau. Não é nem meu nome, idade, ou como eu estou. Essa é a sua primeira pergunta?  - Garota, estou completamente alcoolizado, embrigadado e não estou tentando esconder isso. Se você ta conversando comigo é porque me acha bonito, ou seja, iria ficar comigo independentemente de eu ser um otário ou não. Então, eu só tenho que, por convenção, conversar contigo por 10 minutos para não ser um completo retardado. E de novo, como estou bêbado, seu nome não faz diferença. E como você me acha bonito, e só isso, o meu não faz diferença. E a sua idade? Bem, se você está bebendo vodca aqui nesse bar, você não está nem bem, e nem é menor de idade. Mas a segunda questão eu percebi porque você tem uma aliança de noivado. Relaxa, não precisa esconder. Também já traí.   - Ter vindo conversar contigo agora.  - Sério? A tua vida é boa então.  - Não, eu tinha a esperança de que você poderia completar meu copo e também, agora terei que voltar sóbria para casa. E também, todos já viram…

Divagações regadas a café e morangos

É muito mais fácil gostar do dia. O dia é claro, simples, não é obscuro nem com segundos sentidos. Ás vezes é nebulosa, as vezes chove, o que é muito normal aqui em Curitiba. Porém, os dias são extremamente agradáveis. Se chove e o clima nubla, melhor ainda. Daí o dia se identifica mais com a noite. Aquele clima apagado e borrado de Silent Hill, que dá calafrios, porém uma sensação boa. Como uma expectativa. A noite é sempre assim. Esteja bonita ou feia. É sempre... Surpreendente.
 Agora, a noite tem um defeito que compensa todos os do dia. Se você está apaixonado, você está fudido. Muito simples. Se você está feliz, ok, então tudo fica bem. Mas... Se você está apaixonado, por mais que esse sentimento seja recíproco, vai doer. Você vai se machucar. Principalmente se for uma garota. Ah sim, garotas apaixonadas são o alvo perfeito. Elas sempre tentam achar um motivo, uma razão para tudo. Não conseguem aceitar a realidade. Sempre exageram. Patéticas.

Coisas que você deveria ter as bolas de me dizer.

-  Lembra a maneira que você me abraçava? Lembra o jeito que você me fazia sorrir? Lembra como você disse que me amava? Sim? Eu também. E da maneira que você me machucou? E das lágrimas que arrancou? E as mentiras que contou? Sim? Que bom. Você merece isso tudo sabe? Digo... Você é um filho da puta. E filhos da puta são todos como você. Lindos. Talentosos. Mentirosos. E fazem tudo isso não só com indiferença mas como mais de uma vez. Foi por isso que eu lhe abandonei.
 - Não querida, você me abandonou porque encontrou outro alguém. Você me abandonou porque você é quebrada e não aceitou a minha ajuda. Você me abandonou porque em algum lugar na sua lógica maldita faz sentido sofrer sem motivo. O fato de eu ser um bastardo só melhorava as coisas. Você me amou por ser um bastardo. Você adorava e ainda adora o fato de que vivemos um jogo.
 - Me esqueci de como você era modesto. Se eu lhe adoro tanto e não vivo sem você, me diga, por que estou com outro?
 - Você acha que um mártir pode te …

Utopia

- Então, tudo se resume à sexo?
 - Exatamente. Freud concordaria comigo.
 - Quer dizer que tudo o que temos... Todas as risadas, os beijos, abraços, conversas... Se resumem à sexo!?
 - Você está sendo redundante...
 - Me explique. Quer dizer que não tem nenhum sentimento, somente prazer?
 - Você precisa de algo a mais?
 - Não, mas eu quero.
 - Hahaha, vai realmente trocar todos os orgasmos que eu lhe dei pra ter a chance de poder ouvir um "Eu te amo" de outra garota? Ok, prioridades são prioridades...
 - Você não vai sentir a minha falta, não é? Você consegue um cara como eu em qualquer outro canto.
 - Não... Nem todos são tão bem dotados.

Indye e Metal sincronizados

- The Fratellis é bom. Não é Metallica, mas...
 - Ah querida, admita que você quando ouve isso não fica com vontade de dançar
 - Dane-se. Ouvindo Black Sabbath dá vontade de pular.
 Ele não disse mais nada. Tomou-a pelo braço e improvisou uma lambada. Ela não tinha ritmo. Mas ria. Ele sorria. Whistle for the Choir começou a tocar. Ela pegou o ritmo. Balançava os quadris e ria. Ela aprendeu a dançar. E ele a amar.

Oh Julia

- Foi expulsa de casa?
 - Sim.
 - Entra.
 Então Amanda entrou na casa de Julia. Era um apartamento. Bonito. Arejado, grande. Tinha um pole no meio da sala, decoração erótica. Como ela amava aquele lugar.
 Julia se deitou no seu próprio sofá e ligou a TV. Regata, shorts. Cabelos vermelhos. Linda.
 - Posso ficar aqui?
 - Já disse que sim, agora pare de ser estúpida e vá se servir de algo para comer. Você deve estar faminta. Tem queijo na geladeira e macarrão na cozinha.
 - Te amo.
 - Eu sei.
 Amanda riu e foi para a cozinha. Um arrepio tomou sua espinha. Finalmente havia conseguido assumir. Estava não em casa, mas em seu lar. Ao virar para trás, deu de cara com Julia, quem lhe beijou apaixonadamente.
 - Também te amo.
 Primeira vez que ela havia dito aquilo.

Relatos da madrugada

Estavam um de frente para o outro. Ninguém se atrevia a dizer nada, ninguém se atrevia a quebrar o momento. Ela se sentava de pernas cruzadas na bancada da cozinha. Ele somente se apoiava na mesa. Paralela a ela. Ela não conseguia encará-lo nos olhos. Sempre encabulava e olhava para baixo. Ele bebia o café, rindo da situação dela. Uma criança. Tomava leite com achocolatado. Cabelos em uma trança. Quase ingênua. Quase. Ele se aproxima dela, e a beija, desfaz a trança e a acaricia. Ela derruba o leite. Ele a leva para o quarto. E repetem o espetáculo da última noite.

Em nome do Pai

- Foi fácil?
 - Foi.
 - Sério?
 - Até demais.
 - Não jorrou muito sangue?
 Como resposta ele somente abriu o casaco e mostrou a camiseta, que outrora fora branca e agora estava manchada de carmim.
 - Ok, cadê o meu pagamento?
 - Meu Deus.
 - Não blasfeme.
 - Ahm?
 - Você não é católico, não blasfeme o nome de Deus.
 - Nem você é religioso.
 - Sim, porém você nunca me verá falando o nome do Senhor em vão.
 - Nem em um acidente de avião?
 - Nunca estive em um acidente de avião. Enfim, quero os meus três mil reais.
 - Não quer falar sobre o impacto que é matar alguém pela primeira vez e bla bla bla?
 - Terapia é para adolescentes que tem complexo consigo mesmas. Quero meu dinheiro pra poder cair fora daqui.
 Ele pegou o envelope. Contou o dinheiro. Virou de costas. Saiu do local. Queimou o envelope. Sorriu. Continuou andando. Não sabia o que ia fazer em seguida, talvez sabotar algum avião e entrar nele.

Tuesday's Gone

Ligar Lynyrd Skynyrd e sentar-se na janela do ônibus. Olhar cabisbaixo e lábio inferior sendo mordido. Era bom sentir-se como num filme de vez em quando, certo? Saudável, romântico, dramático. Chegar em casa e ficar ofendida com as mesmas pequenas besteiras de vez em quando. Deitar-se na cama e fechar os olhos. Falar para si mesma que gostaria de não acordar. Mentir assim.
 Acordar e ficar sonolenta. Pensar em você. Sentir-se culpada por causa disso. Sorrir. Sentir-se mais culpada ainda. Abraçar-se. Pois ninguém mais o fará. Se desapegar de tudo. Até do que não irá embora. E sentir falta de quem foi. Cansou de entender a si mesma. Afinal, o que é a vida sem drama?

Declines necessários

Troquei os usuais e belos solos de guitarra por uma música qualquer de sertanejo universitário. Troquei os meus filmes violentos por uma noite agarrada ao meu travesseiro, chorando. Tudo isso pra você não saber. Simples. Vale a pena me jogar fora por uma noite, pra continuar com uma bela máscara de manhã.

Crônicas Anônimas parte 4 - Final.

- Morta?   - Sim.  - Overdose?  - Claro.  - Ela não estava limpa?  - E assim permaneceu, por 3 dias.   - Como falaremos para os pais dela?   - Eles já sabem. Sabiam disso no momento em que ela saiu da clínica. 

Sentenças inapropriadas como respostas falhas

Porque você me ama. É como se sente perto de mim. É o que não temos em comum. O quê você odeia. O que eu adoro. O que eu uso. Vício. Mais um. A melhor parte. Alguma coisa hipster que eu não conheço. Eu. Você. Eu. Nós. Outro vício. Hábito. Lucro. Outra coisa hipster que está de alguma maneira relacionada com a primeira, que eu também não conheço. O que temos. O que estamos fazendo. O que fazemos. Arrepios. Instinto. Nós. Música. Você. Parte de nós. Medo. O que nunca saberemos se teremos. Meu medo. Música. Uma banda. O nosso maior inimigo. Alguma música que lembra de nós. Música. O que eu quero. O que sentimos. O quê nós tememos também. O que estamos fazendo. O que estamos tentando. O que você deveria fazer. O que você faz. Minha doce frustração por sua culpa. Nem tentarei adivinhar. Indie Hipster. Eu. O que eu aprendi a gostar. O que você ama. Más lembranças. O que te lembra de mim. Cocaína e Disco Voador.

Algo entre Scorsese e Kid Abelha

É complicado se apaixonar por um escritor. Tudo para você é um melodrama. Tudo é um sentimento. E todo sentimento vira um poema. Cria personagens com o meu nome ou apelido. Lembra de mim com uma música. Tudo o que é envolvido no meio artístico lhe atrai. E o que é envolvido no meio artístico que lhe atrai e que te lembra de mim, é o que você mais ouve. Não importa quão ruim os filmes ou as músicas sejam.Você lhes dá audiência. Ainda bem que nós dois temos um gosto admirável, não é querido? É claro que é arrogância, mas afirmo isso tudo com tanta certeza, porque bem... É o que eu sinto também.  Por favor, me beije depois. Deixe-me terminar o cigarro e o vinho.

Mais uma indireta

- Vou desligar aqui. Estou te enchendo o saco já.
 - Você já faz isso há uns 5 meses.
 - E você nunca desligou.
 - É porque você nunca me encheu o saco. Só naquela vez que estava bêbado.

Love story

- Troquei meus amigos por passatempos. Troquei minha saúde por doces. E vou te trocar por um canalha. Ainda assim continua aqui. Qual o seu ponto?  - Mostrar que nem tudo está perdido.  - Mas eu estou.   - Vou te encontrar então.

Três passos.

Sangue frio. Era o que bastava. Podia estar chorando, se agoniando, querendo berrar. Podia fazer tudo isso. Por dentro somente. Relaxe garoto. Também quase caguei as calças quando matei alguém pela primeira vez também. O sangue jorrando, o negro se contorcendo em agonia. Morrer esfaqueado é uma merda, é uma morte lenta e você acaba morrendo engasgado do que das facadas de qualquer jeito. Mas agora, que eu era quem estava iniciando o novo "grumete" como apelidávamos nossos calouros, ver um novo Skinhead matando um negro era sempre uma cena deliciosa. O sangue, a carnificina. Nunca fui fascista ou alguma merda dessas. Sempre fui indiferente. Posso viver em uma ditadura. Democracia, Anarquia, Utopia feita com unicórnios que defecam algodão-doce, o que seja, contanto que eu possa esmagalhar o crânio de alguém.
 Três minutos se passam. O negro morre. O grumete vira membro.

Doce amiga

As lágrimas congelavam quase que instantaneamente em seu rosto, ela se encolhia nas frestas entre as casas e corria, não se atrevia olhar para trás. Sempre silenciosa e tremendo. Cada passo que ouvia ela se encolhia mais. Tentava vestir-se melhor com o que restou de suas roupas. Mordeu o lábio para não chorar alto. Mordeu mais forte. Mais forte. Sangue correu pelo seu queixo e pintou de rubro a neve branca do chão. Sua sandália rasgou. Ela caiu. Já não conseguia mais evitar. Soluçava alto. Não conseguia respirar direito. Seus membros doíam. Ela doía. A neve congelava seus ombros e quase a anestesiava quando se lembrava do que havia passado. Três homens. A dor. A humilhação. O ar erótico. Não conseguia mais. Fechou os olhos. Apertou-os bem, do mesmo jeito que havia feito no balcão. Apertou-os e aguardou pela morte. Sorriu. Morreu Sorrindo.

O diretor, A roteirista e a Atriz.

Foi tudo uma encenação. Não durou mais do que quatro atos. Primeiro ato; você se apaixona. Segundo ato; você me conquista. Terceiro ato; nós somos felizes. Quarto ato; tudo da errado. Clichê? Sim, escrevi uma história de amor quebrada. Você a levou como achou melhor. Nós éramos os protagonistas. Te chamaria de Romeu e à mim de Julieta, porém, não fiz nenhum sacrifico visível. E Romeu ficou com Julieta. Estamos seguindo a história corretamente. Porém, ninguém sabe o que acontece no Backstage. Eu durmo com o diretor para você sofrer menos. Você faz o mesmo comigo. Continuamos nisso. Mentimos um para o outro e nos entrelaçamos nessas mentiras que cada um julga ser verdade. Nossas consciências estão em paz, assim como nossos sorrisos, porém um pelo outro, esquecemos o coração e a integridade.

Rotina perto de ti 2

Você atende quando eu ligo, você sente ciumes. É irritante a maneira que você é certinho. Vou para o show, bebo, rio, caio, beijo. Não esqueço de você. Sorrio. Pulo. Me lembro do seu sorriso. Chego em casa. Vejo que você está com outra. Fico com ciúmes. Sorrio. Fico feliz por você. Que ela seja melhor. Sinto falta de você. Tomo outra dose. A saudades passa.

Um pouco de variedade

O quê é o amor? Aquela coisa açucarada e enjoativa que mostram em filmes que não é. O sentimento agoniante de necessidade da pessoa amada? Ou é um vício, somente isso. Simples, frio e uma coisa que você se prende como em uma rede?
 Por que é tão difícil de acreditar que o amor seja uma coisa boa? Porque o amor nos transforma em mártires. E todos sabem o que acontece com um mártir. Tem uma morte nobre e pura. Pois ele é apaixonado. Por uma prostituta, mas é apaixonado. Todos invejamos os mártires.

Mulher Gato

- Sabe garota, você me decepciona.
 - Você me frustra, garoto.
 - Não precisa ser sarcástica.
 - Nem você.
 - Mas não estou sendo.
 - Ok, então. Como te decepcionei?
 - Voltando para mim.
 - Ahm? Isso não faz sentido.
 - Você é que nem a Mulher-Gato voltando para salvar Gotham City. Não faz o seu estilo.
 - Isso é ruim?
 - Nunca fiquei tão feliz em estar errado.

Metamorfose Ambulante

De manhã eu te odeio. Na hora do almoço sinto saudades de suas piadas. De tarde sinto um vazio, porém é de noite que tudo dói. A agonia. A vontade de te ter. A vontade de sorrir. Engraçado. Meu sorriso não existe longe de você.

Amor em sua mais simples forma

- Você não me ama?
 - Não.
 - Então, por que disse?
 - Você me pagou pra isso, lembra? "Me dê amor" foi isso o que você disse quando entregou-me o dinheiro pela primeira vez. Você continuou pagando, eu continuei te amando. Porém, quando você quer algo pessoal meu, eu acho que é de se esperar que eu tenha uma resposta diferente do que na cama.
 - Você não devia ser uma puta, uma atriz. Me enganou muito bem,
 - Mas é o que eu sou, amor, uma cortesã. Estou aqui para criar os seus sonhos e fantasias. Sejam elas com couro, cordas correntes ou com mentiras.

A frustração da morte

- Pensei muito antes de fazer qualquer coisa, sabe?  - Você pensou muito? Sobre o quê?  - Se valia a pena, e tudo mais.  - E?  - Bem, deu no que deu não é?  - Como se sente agora que sobreviveu?   - Frustrada.  - Frustrada? Não é nem aliviada e nem sortuda?  - Não. Eu queria me matar e não consegui. Aparentemente nem morrer eu consigo fazer direito.   - Você é realmente patética, sabia?  - Sim, mas porque acha isso?  - Porra, você sobreviveu, devia ficar feliz com isso. Você tem tudo para ser feliz, se dar bem. É bonita, disposta, talentosa. Realmente. Você não tenta nada. Fica mofando. Reclamando da vida. E depois acha que a culpa é dos outros. Patético.  - Poxa, você realmente sabe como animar uma pessoa suicida.

A loira e a morena.

- Vamos?
 - Sempre.
 Elas riem. Saem do colégio e pegam o ônibus. Rafaella, dezesseis anos, segundo ano do médio, cabelos castanhos longos, olhos verdes e Elisa, cabelos loiros curtos e olhos castanhos escuros.
 - Feliz aniversário Rafa.
 - Tirando que você errou por alguns vários meses.
 - Você que pensa. São dez anos de amizade hoje.
 - Oh, Really? Hahaha, o que eu to falando faz algumas horas?
 - Ok, e bem, aqui está o seu presente.
 E ela entregou para sua companheira um pacote com umas lâminas minúsculas. Rafaella não pensa duas vezes e coloca as duas embaixo na língua. Elisa ri e abraça a amiga. Ou irmã. Não sabia mais distinguir. A amava demais. Elas riram e Rafaella estava completamente aérea. Foi descer do ônibus e o outro expresso passou na mesma hora. Rafa caiu estática no chão e riu, ainda sob o efeito da droga. Abraçou a irmã e citou a única frase em inglês que sabia.
 - To die by your side is such a heavenly way to die.
 - Vá a merda sua estúpida.
 Largou a amiga e morr…

Sexo drogas e prostitutas Rock n Roll

A única coisa que ele gostava naquela cidade. O Bar Britânico. O único lugar onde prostitutas eram tatuadas com nomes de banda e onde usar uma jaqueta de couro era o mínimo. Ele sentou no balcão e fez um sinal para a atendente.
 - O quê vai querer hoje, Manoel?   - É Mancha, Rosa.  - O quê vai querer hoje, Manoel?   - Uma cerveja e uma porção de calabresa. Por que não consegue me chamar de Mancha?
 - Porque é um apelido ridículo. O quê me traz da cidade?
 - Tem uma erva nova, divina. Boliviana acho, uma viagem sem igual.
 - Erva?! Tenho cara de criança? Quero pó, Mancha. - Ela se inclinou para mostrar os volumosos seios. - Por um preço bem bacana.
 - Claro, ok. To com uma mediana, que eu uso normalmente, por vinte reais o pacotinho.
 - Vinte reais?! Tudo isso?!
 - É pegar ou largar baby, você sabe que o meu mediano é o excelente dos outros caras. Em todos os sentidos. - Passou a unha pelo braço dela e a fez se arrepiar. Já estava cansada do jeito daquele sujeito. Se bem que, sexo por…

Obrigada pelo apoio papai.

- FILOSOFIA?
 - É... O curso começa em duas semanas.
 - Você não prestou para mais nada?
 - Sim.
 - O quê?
 - História, Antropologia, Letras...
 - Filha, por favor, me diga. Você é maconheira?
 - O quê isso tem a ver?
 - Você deveria estar se focando no seu futuro.
 - Mas estou. Você sempre disse que eu sou boa em escrever, então vou me focalizar nisso. E também é o que eu gosto.
 - Filha, qual o ponto de ser inteligente se você não vai ser paga para isso?
 - Não virar uma das seguidoras de Bush está de bom tamanho para mim.