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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

Requebre e grite baby, pois a noite está apenas começando.

Uma coisa sobre casas de músicas onde o ingresso é mais que vinte reais: elas são o equivalente à casas exclusivas no centro de Curitiba.   É o esconderijo de todas as garotas com máscaras falsas e decidem derrubá-las por uma noite.  Pista de dança. Banda ao vivo. Bebidas não adulteradas e um bartender que sabe o quê faz. É o suficiente para a elite cultural.   Como toda pista de dança. Sempre há uma garota que se destaca. Vestido de bolinhas, salto alto e quadris se movendo mais rápido que a velocidade da luz. Ninguém olhava para o parceiro, pois ela era a atração. A música acabou e começou a tocar alguma música romântica.   Ela saiu da pista e pediu um drink.   Dry Martini. Duas azeitonas.   Um homem aproveitou a deixa, pagou a bebida e conversou com ela.   A noite se resumiu nisso. Sorrisos sarcásticos da garota. Olhos rolando. Uma satisfação pessoal na cara do homem.   Uma hora antes da casa fechar, eles saíram juntos.   Não vi mais da garota por duas semanas.   Mas quando a vi. …

Alça de Bolsinha Arrebentada

Uma personagem borrada na paisagem da XV. A mulher com rugas no rosto. Braços flácidos, olhos opacos. O cheiro da fumaça do cigarro forte. Ninguém precisava perguntar para saber com o quê ela trabalhava.
 Trabalhava. Não mais.
 O celular sendo carregado entre os seios caídos e o decote. Ficou perambulando sem rumo até anoitecer. Sentou na Tiradentes e ficou observando as suas substitutas. Muito magras. Muita maquiagem. Muito testosterona. Não conseguiu não rir.
 Se perguntava se Yuri ainda estava no comando de tudo. Provavelmente sim, a Tiradentes começou com ele. E morrerá com ele. Mas o estado das coisas a fizeram questionar sobre a vida de seu ex-chefe.
 Carros baratos paravam nas esquinas. As "mulheres" entravam neles sem reserva. Em meia hora voltavam para o ponto. Se lembrava de que na sua época, era mais requisitada que isso. Fazia mil em uma noite. Porém começou a fazer duzentos. E no fim. Duzentos por semana.
 Afastou os pensamentos. Jogou o box de Malboros Vermelh…

Mais que comida queimada; um louco pensando sobre ela.

- Por dois segundos... Eu achei que tinha conseguido, sabe? - O velho falava, alto, soluçando e rindo. O quê mais se esperar de um bêbado. - Só fiquei um pouco decepcionado. Porque bem... Sabe o quê você nunca deve esquecer filho? - Ele disse, apontando para o barman. Se é isso o que Miguel era. Ser dono de um boteco de esquina não deve contar.  - Deixar o dinheiro no colchão?  - Aprendeu hein? - Ele balbuciava enquanto apontava para o rapaz.   - Sim, seu Zé... Vamos. Vou fechar o bar.  - Ah, moleque. Me faça algo pra comer antes.   Ele dá de ombros e começa a fritar um hambúrguer para o velho. Nem sabia se o nome dele era realmente José. Só o chamavam de Zé porque ninguém nunca perguntou. Será que era assim com ele também? Só o chamavam de moleque porque nunca iriam perguntar o seu nome. Ou se importar com ele?   Essa é a vida não é? Você participa no cotidiano de todos. Limpa o vômito deles. E como retribuem? Com apelidos. Talvez seja para o melhor. Pra quê máscaras quando não se …

Filtros e memória ocupada

Todos na formatura se divertiam. Choravam. Riam de alegria. Mas não Helena. Ela não se deu ao luxo, ou as fotos ficariam borradas.
 Das sete até as três. Fotos. Completou três cartões de memória.
 Ela era a mais talentosa da classe. Todos sabiam o dom que ela tinha. Cada foto magnífica. Jogos de cores... Uma pena que é difícil se sustentar de fotografia.
 Todos sabiam disso. Mas ela continuava fotografando. Cada vez melhorando.
 Mas é claro que isso não impediu ela de se formar em administração.

Um punhado de doenças venéreas em palavras.

Do quê se precisa? Na vida real?
 Muitos diriam que confiança, amor e sorte é o suficiente.
 Outros diriam que dinheiro e bons contatos.
 E ainda há os seguidores de Palahniuk e Bukowski. Onde se auto destruir é a resposta.
 Fico em dúvida. Digo, nunca fui rico, sabem? Nunca achei uma garota que valesse a pena. Sou da teoria de que não existe isso. E Bukowski? Por favor, preservo minha saúde.
 No fim das contas. Do quê se precisa? Uma boa companhia. Entretenimento. Ocupação.
 Johnnie faz a primeira função. Um violão velho a segunda. Agora a terceira? Nem sei. Já pensei em adotar. Mas de novo; não tenho dinheiro para tanto.

Don't let go the blanket.

Ela não entedia. Não muito bem pelo menos. Não entendia o porque de seu pai estar chorando para uma caixa sendo enterrada. Mas ela entendia que estava triste.
 O pai voltou para casa, sempre chorando. Deixou a filha no quarto, deitou ela na cama, a cobriu. Forçou um sorriso e disse:
 - Você parece muito com sua mãe.
 Beijou os olhos violetas da filha. E apagou a luz.
 Laura não conseguiu dormir. Ouvia o barulho de garrafas se tocando. E uma música feliz, mas melancólica no ar. Ela pela primeira vez do dia chorou.
 Pegou o soninho dela, e abraçada com o cobertor, desceu a escada. Com cuidado. E viu o pai. Ele bebia uma bebida dourada, falava sozinho. Sem motivo, ela ficou assustada.
 - Papai... Cadê a mamãe? - Ela sussurrou da escada.
 Ele a olhou, a abraçou e chorou. Os dois soluçavam profundamente. Ela baixinho e agudamente. Ele rouca e altamente. Choraram por muito tempo. Ele só pensava que não a veria mais. A mãe de sua filha. O amor da juventude. Se controlou, tinha que responder…

Behind Blue Eyes

Lá está ela. A dama fatal. O cigarro entre os lábios, sendo segurado pelos dentes brancos. Porém ninguém vê isso, porque é o vermelho de seu batom que mancha o tubo de nicotina.
 A figura esguia e alta. Suas curvas atenuada pelo longo vestido negro. Não tão longo. Era longo para um vestido de verão. Acabava bem no meio de suas canelas. O chapéu branco escondia os olhos da donzela (apesar de todos duvidarem de sua virgindade). Azuis, os bem conhecidos olhos azuis-piscina. Ou verdes-mar. Não faz diferença. Eram claros e cristalinos. Contrastavam muito com o tom sempre negro de suas roupas. Ela nunca estava sozinha.
 Menos naquele dia.
 O funeral de um rapaz pobre do Queens. Todos sabiam daquele rapaz.
 O garoto apaixonado que acompanhava a donzela até o carro. Todas as vezes que ela saia do Palace. Ninguém nunca conseguiu descobrir o que ela fazia lá.
 Nem as amigas fofoqueiras de sua mãe. Isso sim foi surpreendente. 
Era um rapaz bonito, morreu com vinte e cinco anos. Era a idade da donzela…

Respondendo três perguntas em 3 parágrafos

No que se baseia amar alguém? Temo que essa seja uma pergunta mais difícil do que "por que existimos?" ; afinal, pelo menos os religiosos conseguem responder essa.
Percebe-se que se gosta de uma garota em dois momentos: quando ele veste sua bela mascara de papel machê e quando ela a tira.
Aqueles longos minutos em que a menina que você está tão acostumado a ver em seus piores momentos, decide se arrumar. Maquiagem, bobes no cabelo, vestido decotado. E você passa a noite maravilhado. E então, ela tira tudo. Com água e sabão ela se borra, os olhos ardem. Você se impressiona com a simplicidade da aparência da garota. Que parece uma criança. Uma criança que precisa ser cuidada. Afinal, o quê são mulheres além de garotas com um ciclo menstrual regular?

Entre todas as definições de casais adolescentes; a mais fiel.

As declarações intermináveis. Os dois tentando não chorar. Todos sabendo qual seria o possível desfecho daquela novela mexicana. Um casal brincando de clichê. Uma garota brincando de sofrer. Um garoto brincando de crescer.

Todos os demônios dentro de mim

Andar pela noite, com aquela garota que você nem sabe o nome direito. Só o apelido. Ela se diz Mandy. Amanda talvez? Ou não. Mas é. Isso define a noite. Andar pela noite, em um lugar esquecido por Deus. Com Mandy. Coitada, deve achar que vou estupra-lá. Não a culpo. Afinal, o quê uma garota bonita iria querer com um bêbado no bar.
 Dou de ombros, a empurro pra uma rua. Dou uma nota de cinquenta reais.
 - Pegue um táxi na próxima esquina.
 Não vou força-lá a passar a noite comigo.

O primeiro dia ensolarado de Julho.

Um banco úmido de garoa do dia seguinte. Ou teria sido da tarde? Não lembro. Devia ter sido de tarde, pois a máscara foi derretida pela chuva, lembra? A primeira de três.
 A segunda foi derrubada quando eu perdi o jogo. O jogo que eu estava ganhando, até você fazer a coisa que eu jurava que tinha me preparado. Disse que estava apaixonado. Sabia o quê devia ter dito.
"É uma pena rapaz" 
Ou
 "Sinto por você"
 Muito simples. Viraria de costas e fingiria não me importar.
 Mas não dava mais, não é? Não podia mais te perder. O quê aconteceu? Eu perdi o jogo. Admiti que estava apaixonada também.
  E a terceira máscara? Muito simples. As três palavras de sempre. Se lembra? Que saíram ao meio de lágrimas, soluços e culpa? Pois é. Viraram o nosso clichê agora meu querido.
 Não é somente a sua camiseta que está escrito eu te amo agora.
 São todas as minhas declarações para você.

Além do blefe - algo sobre como segurar cartas direito.

Não sei o que leva para cada um jogar poker. Realmente não tenho ideia. Alguns começam a ganhar muito. Outros começam a jogar Truco, Canastra e vão para o Poker. Outros não tem nada a perder.
 Faço parte do terceiro grupo. Eu acho. Porém, como consegui me sustentar disso, acho que entrei no segundo. Mas agora, se eu perder tudo, me encho de vodca.
 Muito simples é a vida no jogo. Você ganha, fica rico e odiado. Você perde, se fode e é amado. C'est la vie.
 Sabe a pior coisa do Poker? Ele ser transmitido por televisão. Ou seja, luzes o tempo todo. Pessoas mostrando suas técnicas para o mundo. E você sua e não consegue manter a expressão intacta. E ninguém mais. Porém, a dica é observar as mãos das pessoas. Se seguram as cartas firmes ou é porque a mão é muito ruim, ou muito boa. Se estão frouxas é porque sabem que vão perder. Se estão normais é porque estão esperando alguma cara específica.
 Sempre seguro minhas cartas firmes. Porque se um vento bater, consigo segurar direito.

Se antes fosse o advogado do diabo.

- Então, é isso? Vão assinar o divórcio?  - Sim. - Disse a mulher.  - Querida... Por favor... Vamos conversar sobre isso.   - Já disse. Não tem o que falar. Acabou Mateus.  - Não! Isso eu sei! Mas acho estúpido cinquenta por cento do meu salário ir pra você! Pelo amor de Deus!  Arranje um emprego, você é formada.  - Ah, é assim então? Pra quê? Pra você poder gastar o dinheiro em putas!?  - Melhor que você gastar seu dinheiro em plásticas!   Acho que foi nesse ponto da briga em que eu desliguei. Porra. Por que enrolar? Estava tudo tão bem. Eles iam assinar o papel. Eu ia pra casa. E a vida continuava. Mas não, as coisas nunca são simples. Comecei a jogar no celular. Não sabia que Angry Birds era tão divertido.   Uma hora depois. Ingride me cutuca.   - Podemos assinar.  - Só isso? Não vão querer modificações nem nada?  - Não. Vai ficar tudo como estava.  Me controlei muito para não mandá-la à merda.
- O quê me recomenda professor? Me formo em uma semana e não sei o que prestar.
 - Ah, estava assim como você quando fiz vestibular, relaxa. Na hora, você se acostuma.
 - Como você fez?
 - Estudei história, português, matemática e geografia política. Um pouco de ciências.
 - Prestou pra quê?
 - Direito, Ciências Sociais, Agronomia e Filosofia, é claro.
 - Agronomia?
 - Eu te disse que não sabia o quê fazer.
 - Porque Agronomia?
 - Te disse que não sabia o quê fazer.
 - E porque filosofia?
 - Estava viciado em Clube da Luta.
 A garota passou o dia antes da inscrição lendo o livro. E depois viu o filme. Acabou fazendo administração.

Confissões de uma Terapeuta Depressiva

Mesma coisa. Todo cliente é a mesma coisa.
 Uma garota chega e fala que está depressiva. Que não consegue achar nenhuma motivação. Me mostra os pulsos. Cortados.
 Sabe a pior parte? É que eu atendo cinco garotas assim.
 Vocês não entendem como isso enche o saco. Claro, eu já fui assim. Admito. Mas eu era ocupada. Digo, ah, estava sem motivação. Minha mãe me mandava arrumar a casa. Depois ir fazer compras. E para ter uma ideia, o mercado era a seis quilômetros de casa. Ela me dava dinheiro pro ônibus, mas eu comprava um chocolate. Resumindo. Andava doze quilômetros por dia. Sendo seis deles com um peso de seis quilos mais ou menos. Andava isso. Mais o caminho da escola. Resumo. Ficava tão cansada que nem tinha tempo para ser depressiva. O meu tempo livre eu dormia. Minha adolescência foi chata se eu parar para pensar. Por isso virei terapeuta. Porque me disseram que ia ser divertido. Cada paciente uma aventura. Um drama.
 Quem mandou abrir um consultório do lado do colégio mais caro d…

I go crazy, baby, I go crazy

Sabe, foi Aerosmith.
 A culpa de tudo.   Mentira. Já queria sair de casa muito antes. Porém ter dois mil reais guardados e ouvir "Crazy" realmente te dão um impulso.  Peguei uma mochila, minhas roupas. Uma mala. E fui dividir aluguel com um garoto da minha sala de Introdução ao cálculo.   Não sou doente. Avisei meus pais que estava bem e estava na cidade. Só não falei onde morava.  Demorou uns meses até voltar para casa.   Admito o quão patética eu fui. Sim. Fugir de casa. E nem se quer sair da cidade.  Mas culpem o Steven Tyler.

Cinquenta centavos de lucro

Teddy estava em Nova York. A matriz da fábrica era lá. E a bolsa de valores também.
 Ele estava tentando convencer os donos da Malboro a aumentarem o preço do maço para US$ 1,00.  Conseguiu.   Aumentou os seus para US$ 0,65.  Mas foi muito complicado.    Entendam, tem todo um processo para aumentar o lucro.   A demanda aumenta, o quê faz que eu tenha que falar com Billy. O administrador da fazenda de produção. Ele contrata mais vinte funcionários. Todos asiáticos. Trabalham mais rápido e melhor.   Preferimos japoneses. Eles têm algo a ver com o orgulho de trabalho bom e etc.
 A questão é: eles não eram tão baratos quantos os mexicanos. Mas compensava.
 Billy me mandava os relatórios. Que eu passava para o irmão de Teddy, Berny. Um cara brilhante com números. Mas só isso também.
 Então eu começava a fazer a distribuição dos produtos pelas lojas.
 Entenda o quê cada um faz.
 Billy cuida dos empregados.
 Berny, dos números.
 Teddy do resto da administração.
 E eu? Simples. Fazia o resto…

Chá e Conan Doyle

- Maaaaaauro.
 - Quié? - Respondo ao berro.
 - Vem cá!
 - O que você quer? - Digo irritado.
 - Vem logo, porra!
 - To indo.
 Subo as escadas, irritado. É bom que ele tenha me interrompido por algum motivo importante. Ninguém interrompe meus filmes se não for por nada. Abro a porta do banheiro e vejo ele sentado na privada.
 Uma mão segurando uma xícara. A outra segurando a minha edição de O Signo dos Quatro.
 - Mas que merd... O quê você está fazendo?
 - Lendo. - Ele me olha como se fosse a coisa mais normal do mundo. - E tomando chá! - E então toma um gole da xícara.
 - Sim, isso eu percebo mas... Por que sentado na.. - E então vejo que sua calça está nos seus pés. E a cueca nos joelhos.
 - Só um instante. - Então ele fecha os olhos. Faz uma careta. E só percebo o quê ele fez quando ouço o som de algo caindo na água da privada. A onomatopeia tão conhecida. E o cheiro peculiar.
 - Puta que pariu, Paulo! Que merda é essa? Estou aqui do teu lado!
 - Ah, perdão. Não deu tempo de pedir p…

Lucro de Cinquenta Centavos. - Prólogo

Não é tão simples como pensam. A maior probabilidade é que nem pensem que é simples. Porque não é. Entenda, não basta ter uma fabricadora de tabaco no seu nome. Tem que arranjar um jeito de conseguir mais dinheiro não é? Tem que arranjar uma maneira, um método por assim dizer de fazer algo errado no que seria a coisa mais simples do mundo. Deixar teu irmão mais novo administrando tudo e só sorrir e ser rico. Mas não. Theodore Gianni tinha que inventar mais coisas.
 O filho da puta mais brilhante que conheci tinha que ficar entediado.
 E então, o quê ele fez? Basicamente comprou a fazenda de plantação e metade das ações da fábrica. Lucrou mais com metade da propriedade da família do quê a família com a propriedade inteira.
 Tráfico é assim não é? Você produz os seus próprios produtos. Não paga por eles. E acaba vendendo por 50 cents o maço. Lucra vendendo mais barato. Quem diria?
 E dizem que o crime não compensa.
 Talvez.
 Talvez sim.
 Talvez não.
 Mas te enriquece.
 Onde eu estava m…

To die by your side is such a heavenly way to die

- Não sei porque, não consigo gostar de The Smiths.
 - Ah, não é o seu tipo de música...
 - Como assim?
 - Você não é tão romântica para tanto.
 - Certeza?
 - Não.
 - Mas você está certo, não é meu tipo de música.
 - Ouve The Fratellis, mas não The Smiths? Explique-se.
 - Por favor, você mais que todos sabe o conceito de The Fratellis para mim. Para nós.
 - Realmente, retiro o quê disse sobre você não ser romântica.
 - Obrigada.
 E ela beija ele. Aqueles beijos tímidos e marotos. Que só adolescentes sabem dar. Os clichês com gosto de bala. Que para os adultos são melosos, para as garotas lindos e para os rapazes uma prévia.
 - Também não gosto deles.
 - Por que não?
 - Só ouvi uma música deles. E não consegui gostar.
 - Isso não é preconceito?
 - Talvez.
 - Bem, melhor não gostar de Smiths do que odiar negros.
 - Por quê? Você os odeia?
 - Não. Depende. Estamos falando de Smiths ou negros?
 - Smiths.
 - Então sim.
 - Por quê?
 - Pelo oposto do mesmo motivo que você está comigo.
 - Qu…

Poemas controversos

- Parou de escrever sobre mim.
 - Nem percebi.
 - Não esperava que você percebesse, por isso que vim falar.
 - Mentira. Eu percebi.
 - Por que parou?
 - Variedade, sabe? Outros temas. Não é saudável pra mim me concentrar em um assunto. Em uma musa.
 - Tem outras musas?
 - Não, mas existem outros temas para serem escritos.
 - Ah...
 - Você não pode estar possivelmente com ciúmes dos meus temas, pode?
 - Poder eu posso. Mas estar eu não estou.
 - Está o quê então?
 - Normal.
 - Está sendo sarcástica?
 - Não.
 - Por que não está sendo sarcástica?
 - Porque tenho outras qualidades.
 - Disso eu sei. Mas... Você sem humor negro é que nem... Ok, não tem uma comparação boa o suficiente.
 - Perdi a vontade de ser sarcástica.
 - Por quê?
 - Acho que é porque você não entende ironia.

O Ator Favorito de ninguém

"I guess I never told you, I'm so happy you are mine."   Apagou o charuto. Abaixou a cabeça para a platéia, sorriu, agradeceu e foi para o bar.   - Elvis de novo? - Perguntou Benny (ou Benito para os católicos) enquanto passou uma cerveja para o cantor.   - Todos amam Elvis.  Olhou para o relógio, procurou por ela e leu as mensagens do celular.   Nenhuma, para variar.  Pegou o violão e voltou a se apresentar, dessa vez com Chuck Berry.   - Obrigado! - Gritou o bartender.   E então Felipe (ou Felix para os amigos de infância) voltou com Elvis. Tocou por duas horas de graça. Ficou de saco cheio e foi para casa (eufemismo para apartamento pequeno na XV).  E então estava ela. Não foi para o bar para assistir tv. Típico? Sim, típico dela provocar o máximo possível. Ela queria ver quanto ele aguentava antes de bater nela.   E ele sabia disso. Sabia que ela queria um motivo pra ir embora. Mas fazer o quê? A garota é bonita, interessante e tem bom gosto. Serve por um tempo.